Uma
população fragilizada pelas ações do Estado
A história dos telefônicos gaúchos seguia
uma linha de sucesso traçada desde a sua estatização por Leonel Brizola, em 16
de fevereiro de 1962, essencialmente por reunir um grupo competente e pujante
de trabalhadores. O orgulho pelo trabalho realizado era a mola propulsora da
categoria, que em troca recebia um tratamento digno dos gestores da sua empresa
e do governo do Estado do Rio Grande do Sul até o início do processo de
privatização.
Vale dizer que o sucesso da CRT,
empresa criadora de tecnologia de ponta nas telecomunicações, sempre refletiu no seu faturamento, servindo muitas vezes de fonte de recursos para o caixa do Estado do RS.
empresa criadora de tecnologia de ponta nas telecomunicações, sempre refletiu no seu faturamento, servindo muitas vezes de fonte de recursos para o caixa do Estado do RS.
Em meados dos anos 90, a fome privativista da
época estimulou a idéia de que a área de telecomunicações não era estratégica
para o país e que poderia ser passada às mãos da
iniciativa privada (vide
multinacionais) melhorando os serviços oferecidos à população e ajudando a
economia nacional.
No dia 16 de dezembro de 1996, o consórcio
Telefônica do Brasil (de matriz espanhola) venceu a licitação para a
privatização de 35% da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). O
processo de privatização no Rio Grande do Sul foi comandado pelo governador da
época.
No dia 19 de junho de 1998, o controle acionário
da CRT foi adquirido em leilão pela, agora, Telefônica do Brasil Holding,
quando da venda dos 50,12% ainda restantes nas mãos do Estado.
Durante o processo de privatização, entre
os anos de 1996 e 2002, as
diretorias da CRT e das suas sucessoras premeditaram um enxugamento abrupto do
seu quadro de empregados, a partir da implementação de diversos Programas de
Demissões Voluntárias – PDV que “estimularam” a saída de mais de 40% dos seus
empregados sem nenhum tipo de preparação, alguns para o concorrido mercado de
trabalho externo e outros para a aposentadoria precoce.
Destes, muitos não souberam aplicar, de
forma rentável, os recursos financeiros obtidos com o PDV, alguns não estavam
preparados para retornar ao convívio diário da família e dela veio a se
separar, e a grande maioria não teve apoio de caráter social, e tudo isso,
infelizmente, enfraqueceu o espírito, fazendo com que os mais diversos tipos de
doenças, oportunistas e algozes, aparecessem e se instalassem no grupo.
De maneira geral, o reflexo do processo de
privatização atingiu também o quadro de aposentados mais antigos, considerando
que trouxe uma extrema sensação de insegurança quanto à manutenção do fundo de
pensão, a partir de ações promovidas por este para mudanças nos planos e extinção
de Estatutos e Regulamentos criados nos tempos da CRT. O futuro tornou-se uma
incógnita.
Outro dado importante a ser evidenciado é
que o Estado se manteve omisso na questão da saúde, pré e pós privatização,
deixando a cargo de cada cidadão abandonado pelo novo proprietário da CRT e
pelo próprio estado, o custeio do seu tratamento de saúde, cujo agravamento
originou-se de decisões tomadas pelo estado.
Em recente estudo elaborado pela
Associação dos Aposentados da CRT sobre a média
etária de mortalidade de seus associados, abrangendo o período de
janeiro/2005 a março/2011, cujo principal objetivo foi medir a probabilidade de
vida e de morte de uma determinada população em função da idade, o resultado
obtido apresentou como média 68,4 anos
de idade (sexo masculino e feminino). Cabe ressaltar que a idade média dos
associados que estão se submetendo a tratamento de quimioterapia ou
radioterapia é de 60 anos, sendo que o grupo de sócios é assistido por plano de
saúde regulamentado contratado com a Cooperativa Médica Unimed Porto Alegre.
Em contrapartida, estudo divulgado pelo
Instituto Brasileiro de Geografia Econômica - IBGE sobre a taxa de mortalidade
da população gaúcha (desassistida de planos de saúde) revelou que a expectativa
de sobrevida média ficou em 74,5 anos de
idade (sexo masculino e feminino).
Sob o aspecto da saúde e da qualidade de
vida dos associados desta Associação, frise-se que totalmente oriunda da área
de telefonia, os resultados obtidos são preocupantes mostrando claramente que a
população dos telefônicos está “adoecida”.
A natureza alarmante destes dados levou a
Associação dos Aposentados da CRT – AACRT em parceria ASTTI - Associação dos
Profissionais em Telecomunicações e Tecnologia da Informação, a procurar
alternativas como a implantação do Programa de Gerenciamento da Saúde junto ao
seu grupo de sócios, no intuito de que contribuam para o aumento da expectativa
de sobrevida, atingindo, pelo menos, o patamar médio da população gaúcha.
Em 2011 foi implantado o programa
preventivo de vacinação contra pneumonia para os associados da terceira idade,
cujas vacinas foram doadas pelo Governo do Estado do RS, sensibilizado pelo
quadro apresentado pelas associações a respeito da fragilidade da saúde dos
telefônicos pós-privatização.



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