domingo, 5 de maio de 2013


Uma população fragilizada pelas ações do Estado

A história dos telefônicos gaúchos seguia uma linha de sucesso traçada desde a sua estatização por Leonel Brizola, em 16 de fevereiro de 1962, essencialmente por reunir um grupo competente e pujante de trabalhadores. O orgulho pelo trabalho realizado era a mola propulsora da categoria, que em troca recebia um tratamento digno dos gestores da sua empresa e do governo do Estado do Rio Grande do Sul até o início do processo de privatização.

Vale dizer que o sucesso da CRT,
empresa criadora de tecnologia de ponta nas telecomunicações, sempre refletiu no seu faturamento, servindo muitas vezes de fonte de recursos para o caixa do Estado do RS.

Em meados dos anos 90, a fome privativista da época estimulou a idéia de que a área de telecomunicações não era estratégica para o país e que poderia ser passada às mãos da
iniciativa privada (vide multinacionais) melhorando os serviços oferecidos à população e ajudando a economia nacional.

No dia 16 de dezembro de 1996, o consórcio Telefônica do Brasil (de matriz espanhola) venceu a licitação para a privatização de 35% da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). O processo de privatização no Rio Grande do Sul foi comandado pelo governador da época.

No dia 19 de junho de 1998, o controle acionário da CRT foi adquirido em leilão pela, agora, Telefônica do Brasil Holding, quando da venda dos 50,12% ainda restantes nas mãos do Estado.

Durante o processo de privatização, entre os anos de 1996 e 2002, as diretorias da CRT e das suas sucessoras premeditaram um enxugamento abrupto do seu quadro de empregados, a partir da implementação de diversos Programas de Demissões Voluntárias – PDV que “estimularam” a saída de mais de 40% dos seus empregados sem nenhum tipo de preparação, alguns para o concorrido mercado de trabalho externo e outros para a aposentadoria precoce.

Destes, muitos não souberam aplicar, de forma rentável, os recursos financeiros obtidos com o PDV, alguns não estavam preparados para retornar ao convívio diário da família e dela veio a se separar, e a grande maioria não teve apoio de caráter social, e tudo isso, infelizmente, enfraqueceu o espírito, fazendo com que os mais diversos tipos de doenças, oportunistas e algozes, aparecessem e se instalassem no grupo.

De maneira geral, o reflexo do processo de privatização atingiu também o quadro de aposentados mais antigos, considerando que trouxe uma extrema sensação de insegurança quanto à manutenção do fundo de pensão, a partir de ações promovidas por este para mudanças nos planos e extinção de Estatutos e Regulamentos criados nos tempos da CRT. O futuro tornou-se uma incógnita.

Outro dado importante a ser evidenciado é que o Estado se manteve omisso na questão da saúde, pré e pós privatização, deixando a cargo de cada cidadão abandonado pelo novo proprietário da CRT e pelo próprio estado, o custeio do seu tratamento de saúde, cujo agravamento originou-se de decisões tomadas pelo estado.

Em recente estudo elaborado pela Associação dos Aposentados da CRT sobre a média etária de mortalidade de seus associados, abrangendo o período de janeiro/2005 a março/2011, cujo principal objetivo foi medir a probabilidade de vida e de morte de uma determinada população em função da idade, o resultado obtido apresentou como média 68,4 anos de idade (sexo masculino e feminino). Cabe ressaltar que a idade média dos associados que estão se submetendo a tratamento de quimioterapia ou radioterapia é de 60 anos, sendo que o grupo de sócios é assistido por plano de saúde regulamentado contratado com a Cooperativa Médica Unimed Porto Alegre.

Em contrapartida, estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia Econômica - IBGE sobre a taxa de mortalidade da população gaúcha (desassistida de planos de saúde) revelou que a expectativa de sobrevida média ficou em 74,5 anos de idade (sexo masculino e feminino).

Sob o aspecto da saúde e da qualidade de vida dos associados desta Associação, frise-se que totalmente oriunda da área de telefonia, os resultados obtidos são preocupantes mostrando claramente que a população dos telefônicos está “adoecida”.

A natureza alarmante destes dados levou a Associação dos Aposentados da CRT – AACRT em parceria ASTTI - Associação dos Profissionais em Telecomunicações e Tecnologia da Informação, a procurar alternativas como a implantação do Programa de Gerenciamento da Saúde junto ao seu grupo de sócios, no intuito de que contribuam para o aumento da expectativa de sobrevida, atingindo, pelo menos, o patamar médio da população gaúcha.

Em 2011 foi implantado o programa preventivo de vacinação contra pneumonia para os associados da terceira idade, cujas vacinas foram doadas pelo Governo do Estado do RS, sensibilizado pelo quadro apresentado pelas associações a respeito da fragilidade da saúde dos telefônicos pós-privatização.

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